segunda-feira, 24 de novembro de 2014

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Há palavras...

... que nunca deveriam vir juntas.
... que nunca sequer deveriam aparecer.

... que juntas fazem a vida num inferno.
... que juntas tornam o coração do tamanho da cabeça de um alfinete.

... que deveriam ser banidas do dicionário.
... que deveriam ficar ocultas da vida.

... que só o nome assusta.
... que não trazem nada de bom.

... que eu não queria lidar com elas.
... que eu não queria que existissem.
... que eu nunca pensei que pudesse afetar a minha família.

Há palavras que fazem vontade de chorar só de as pronunciar.
Há palavras que aparecem na nossa família e nós colocamos tudo em causa.

Há palavras e palavras e estas duas já são más sozinhas, juntas então é surreal.

A mãe da minha mãe e a minha mãe... Como isto custa escrever! Daria tudo para ficar com essas duas palavras e livrar as pessoas do sofrimento que estão a passar.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A falta que um abraço faz..


Sérgio Godinho: Canção dos abraços

Amanhã tanta coisa pode mudar. Amanhã não é um dia normal e nunca será. A esperança está toda concentrada neste momento numa pessoa. Foram dois meses angustiantes e essa angústia nunca passou. A impotência de viver longe é mais que muita. Todos os cenários são colocados, por mais pensamentos positivos que a pessoa tenha há sempre o lado negro das coisas que a pessoa nem sequer quer imaginar.

Nestas últimas semanas tenho pensado muito sobre a importância de um abraço. Engraçado como a mente divaga e se questiona sobre coisas tão simples às vezes. Mas engane-se aquele que ache que um abraço não tem importância nenhuma. Às vezes faz toda a diferença. Já cheguei a desesperar por um abraço. Engraçado como isto soa tão estranho neste momento, pode-se dizer que me conformei com a situação pois abraço ainda não tive e não estou desesperada.

Viver longe é assim. Quando as coisas estão bem são simplesmente as saudades que temos. Mas quando as coisas estão mal as saudades passam para segundo plano e a necessidade uns dos outros torna-se gigante. A necessidade do contacto visual, a necessidade do contacto físico. A necessidade de um abraço. Pelos telefonemas é fácil perceber que o meu pai precisa desesperadamente de um abraço meu. É fácil perceber que os meus irmãos sentem-se perdidos sem eu lá estar. Não sou a super mulher mas sou um pilar na minha família.

A família é como uma casa, com pilares, paredes e janelas. As janelas precisam das paredes e as paredes precisam dos pilares. Basta faltar um pilar e a casa ainda se mantém ainda que muito coxa. Mas quando começa a faltar dois pilares a coisa já complica. O meu avô era um desses pilares. Esse pilar tornou-se pilar de outra forma. Onde quer que esteja sei que está a fazer de tudo para que a normalidade volte a esta família. O meu avô tinha dois filhos de sangue e uma filha de coração e sei que neste momento está a fazer de tudo para salvar a sua filha de coração. Eu sei que sim, eu acredito que sim.

E de repente talvez este tenha sido o texto mais longo que escrevi neste blog. Não se levanta o véu porque as coisas que acontecem são para estarem entre família. Há nomes que se tornam difíceis de dizer, de pronunciar. Há nomes que existiam no nosso vocabulário mas que não faziam parte de nós.

A palavra abraço tem tanta explicação, tem tanta coisa intrínseca. Tem tanto para dizer e para contar, tem tanto para sentir e dar. Que nunca nos falte a esperança de dias melhores e que nunca nos falte abraços...