quinta-feira, 11 de junho de 2015

Ao meu avô...

Há 6 anos escrevi isto ao meu avô e continua a ser tão verdade hoje... E o coração continua tão pequenino!

Ao meu avô, esteja ele onde estiver…

Queria escrever isto, precisava de dizer isto. Dizer um último adeus sentido ao meu avô.

Hoje morreu uma parte do meu coração, hoje eu dei uma parte do meu coração. A falta que essa parte do meu coração faz, dói e com o tempo será preenchido com alegrias, recordações, todos os segundos que estive com o avô.

Se tivesse que descrever como era o meu avô não saberia o que dizer. O que dizer de uma vida tão preenchida? O que dizer de uma pessoa tão especial e tão única para mim? Meras palavras podem dizê-lo…

Mas sei que onde quer que esteja, para crentes ou não, levará para sempre uma parte da minha avó, de mim, do meu pai e da minha tia, dos meus irmãos e primos, dos amigos, de todas as pessoas que estão aqui à volta.

Para os amigos não sei como era, para mim era o meu avô. Aquele senhor sempre todo composto, aquele senhor sempre calado e reservado, aquele senhor que não mostrava o que lhe ia na alma. Mas veio a doença e com ela veio um novo avô. Ainda me lembro de miúda apenas dar um beijinho de olá e outro de adeus, mas nunca um abraço. Nos últimos dias, meses e poucos anos, esses abraços vieram.

Da maneira como o via, o meu avô nunca mostrou fisicamente aquilo que sentia, mas os olhos reflectem o coração e sempre soube como ele era. Uma pessoa excepcional em todos os sentidos.

A sua escrivaninha sempre impecável era quase um altar que nós não podíamos tocar e sempre foi assim até hoje. Era sempre uma felicidade poder fazer um desenho em cima dela.

Lembro-me tão bem de ir passar fins-de-semana a casa dos avós e o avô chamar-me sem ninguém ver e dar-me uma barra de 900g de chocolate Cadbury’s com nozes e passas. Até hoje eram os melhores chocolates do mundo e nunca me esquecerei disso. Chocolates dados sem ninguém ver nem desconfiar. Não era por mal, era o meu avô.

Lembro-me do Pingo e como nos primeiros tempos o avô não gostava dele. Mas os cães sabem quem são as pessoas e acredito que os animais consigam distinguir entre uma pessoa boa e má. O cão logo que entrou em casa foi ter com o avô e assim ficava todas as tardes e noites aos pés do avô. O avô era uma pessoa boa.

Cedo comecei a minha paixão pelos golfinhos e cedo começaram a dar-me presentes com golfinhos. A quantidade de coisas de golfinhos que tenho é impressionante mas há duas que hei-de guardar para sempre. Para onde quer que vá elas irão comigo. Não quero ferir ninguém com estas palavras, mas eram do meu avô que nunca deu presentes a ninguém. Era a avó que tratava sempre de tudo, até os presentes que o avô comprava para mim, o avô nunca me deu nenhum, não sei se era capaz ou não. Mas apesar de tudo são os que mais gostei até hoje, porque sei que ele se lembrou de mim enquanto esteve fora. Porque sei que via coisas com golfinhos e lembrava-se de mim. Sei que ele lembrava-se dos manos e dos primos, mas era o avô e como tal sabíamos que se lembrava mas nunca mostrava.

Nunca conhecerá os meus filhos ou netos, mas quero que eles saibam o avô que eu tinha. Quero mostrar fotografias e dizer que o meu avô era assim. Quero contar tudo o que está escrito aqui e tudo aquilo que agora não me lembro. Quero contar que apenas uma única vez joguei às cartas com ele e como jogava bem. Jogávamos canasta com a avó e o avô nunca deu o monte. Foi o jogo mais divertido que tive até hoje.

Há anos que em cima da minha cómoda está uma caixinha em forma de coração com uma joaninha lá dentro. Presente do avô dado pela avó quando vieram uma vez dos Estados Unidos na altura do Dia dos Namorados. Todos os dias olho para ela, e todos os dias lembro-me do avô. Tenho-a agora na mão para me fazer companhia neste momento, porque o meu coração está deste tamanho, pequenino. Há quem dê jóias de famílias, livros, objectos, mas um dia darei aos meus filhos que passarão aos meus netos esta joaninha dentro de um coração. É das coisas mais preciosas que tenho e que terei sempre.

Tenho a vida toda pela frente, tenho um mundo para descobrir. Agora essa vida e esse mundo tornaram-se novos para mim. Amanhã será um novo dia, um novo acordar. A vida continua e com certeza que o meu avô não gostaria que não fosse assim. Para onde quer que vá, seja de que maneira escolher viver a vida, levarei para sempre até morrer um cantinho do meu coração muito especial guardado para o avô que agora me deixa. Simplesmente adoro até morrer este avô...

quarta-feira, 10 de junho de 2015

To go or not to go...


To go...

But how?

That's my battle...

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Irresponsável + inconsciente = coragem + destemida


(Tenho mesmo que me concentrar na segunda frase)

Ontem tive mais uma discussão com a minha mãe. Mas desta vez doeu mais na alma do que das outras vezes. Adorava contar com o apoio dela, que me desse força, que me dissesse que estava a ser corajosa e que me admirava por causa disso. Mas não... Em vez disso, tem sido sempre a dizer que sou inconsciente, que estou a cometer uma loucura, que fui responsável até agora e que parece que perdi o discernimento. Que o apoio que eu quero é do meu pai que também não tem consciência do que está a acontecer...

De repente tenho que ter segredos uns dos outros. Estou longe, estou a 300km de todos e agora até nas conversas tenho que pensar no que posso dizer ou não. Estou de tal maneira alienada de tudo e de todos que ninguém percebe o que passei até agora. Que ninguém se importa se eu sei ou não das coisas. Que coisas que são importantes são esquecidas de me contar. Isto custa, isto dói e muito...

Estou longe há cinco anos. Passei por muito neste tempo, cresci, lutei, caí, levantei-me, sorri muito e já chorei muito. Aprendi a chorar sozinha, aprendi a lidar com a minha solidão. Aprendi a calar-me e a fechar-me do mundo. Para os outros é muito fácil estar no conforto com a família e os amigos ao lado. Dizem que entendem e percebem a minha decisão mas na realidade nunca ninguém passou por aquilo que eu passei. Já chega, já cheguei ao limite de solidão.

Ontem doeu-me tanto e custou-me tanto. Senti as pernas a fraquejar, senti a coragem a ir-se embora. Perdi a esperança e pus tudo em causa. Até ouvi que devia ser egoísta quando houve a operação e que eu estando cá em cima sozinha não era motivo suficiente para a minha decisão.

Ainda hoje as lágrimas escorrem pela cara em catadupa. As pessoas são tão egoístas no conforto com a família e os amigos ao lado. Coisas atiradas à cara sem dó nem piedade. Um mês e meio sem ir a Lisboa porque estou a fazer um esforço para poupar dinheiro e no entanto não sou poupada a tudo o resto. É tão fácil gritar pelo telefone e chamar inconsciente e irresponsável. É tão fácil comparar e arranjar exemplos para acabar com a minha esperança.

Gostava tanto de ser corajosa e destemida e no entanto lentamente estou a perder isso. O certo e o errado deixaram de existir. Estou certa para uns e errada para outros.

Não preciso de ajuda de ninguém, ajuda assim não quero. Tenho a minha decisão tomada e não quero voltar atrás mesmo que esteja neste momento a questionar tudo...

Estou numa guerra quando deveria ser tudo ao contrário. Estou em plena guerra contra mim quando deveria estar enorme e gigante cheia de força e coragem.

Não aguento mais conversas e mais discussões destas...

Vou ligar ao meu pai...