Provavelmente neste momento a minha sobrinha já nasceu. Ainda nem acredito que o meu irmão Francisco é pai. Ainda é tudo tão surreal. Estou cá em cima sozinha mais uma vez. Mais uma vez sinto-me impotente e sem poder estar ao lado dos meus. Isto custa tanto que ninguém imagina. Mas é a última vez que acontece. Nunca mais terei que passar por isto. Ontem à noite enquanto via televisão sem prestar muita atenção ao que estava a dar recebi o email com a confirmação que vou voltar para Lisboa. Ainda nem estou em mim com isso. Ainda nem acredito na minha sorte.
E neste momento apenas me resta esperar aqui em casa sozinha. À espera de uma mensagem, à espera de uma notícia. À espera de saber que a minha sobrinha é linda e forte. Não paro de chorar há uma hora. Não consigo parar de soluçar. É tão difícil mesmo sabendo que é a última vez que passo por isto. Gostava tanto de lá estar, de poder abraçar e chorar com toda a gente.
Sou tão abençoada neste momento. Sou tão feliz. E no entanto o tempo não passa e não corre. Os minutos estão intermináveis nesta última hora. Sempre que olho para o relógio nem um minuto passou. Só me resta escrever para ver se o tempo passa rápido.






