Esta é a minha árvore preferida do meu jardim. É também um quadro de Van Gogh e também tive que comprar o poster. É um pedaço de papel, não é pintado mas não quero saber. A intenção é que conta.Adoro esta árvore porque é a única que tem flores. Uma amendoeira encontra-se no meio do jardim e hoje subi a ela. O tronco representa a força, as flores brancas representam a paz. São poucas as vezes que subo a esta árvore. Só mesmo em alturas especiais. E hoje foi uma delas. Decidi sentar-me no ramo mais grosso. Pés esticados e costas contra o tronco olhei cá para baixo. Precisava de me elevar acima de todas as coisas. Precisava de olhar cá para baixo e ver as formiguinhas que passavam.
Há coisas que me deixam mal, há fantasmas que não me largam e por vezes subir à árvore é a melhor coisa que faço. É o meu refúgio, é o meu canto. Por vezes tenho vontade de desaparecer deste mundo por uns dias e como não posso, nem é possível que tal aconteça, refugio-me em cima da árvore. É para ela que olho quando desvio os olhos das pessoas. É para ela que olho enquanto passeio por algum sítio. Não estou no mundo da Lua, estou simplesmente a olhar para ela. E perco-me, e encontro-me nela. E faço perguntas mas não oiço respostas. E faz-me perguntas e não sei responder.
Mas numa coisa estamos ambas de acordo. A vida não é justa. A vida não é simples. Ter uma vida banal e normal é coisa que nunca terei. Nunca saberei experimentar isso. Coisas fúteis e banais nunca me preocupei. E por ter tido uma vida extraordinária nunca conseguirei ter a paz de que tanto procuro. Não poderia ter, apenas posso sonhar. Mas enganem-se aqueles que pensam que a vida extraordinária que tive foi boa. Não, não foi. Passei por muito mas isso fica para mim...
Sou um pássaro com as asas partidas que deambula por aí. Já voei e já caí, e neste momento com as asas ligadas trepo a custo para cima da árvore. E a única coisa que conforta o eu, pássaro é o eu, pessoa. Mas não sei voar. Não consigo voar. Tenho ajuda para o fazer, sei que tenho. Mas sou um pássaro livre que precisa de encontrar o seu caminho e propósito. E com o tempo as asas vão-se curar e vou conseguir voar outra vez. A esperança é a última a morrer, tem que ser. De que vale viver se não acreditarmos que um dia tudo se resolverá?
Mas numa coisa estamos ambas de acordo. A vida não é justa. A vida não é simples. Ter uma vida banal e normal é coisa que nunca terei. Nunca saberei experimentar isso. Coisas fúteis e banais nunca me preocupei. E por ter tido uma vida extraordinária nunca conseguirei ter a paz de que tanto procuro. Não poderia ter, apenas posso sonhar. Mas enganem-se aqueles que pensam que a vida extraordinária que tive foi boa. Não, não foi. Passei por muito mas isso fica para mim...
Sou um pássaro com as asas partidas que deambula por aí. Já voei e já caí, e neste momento com as asas ligadas trepo a custo para cima da árvore. E a única coisa que conforta o eu, pássaro é o eu, pessoa. Mas não sei voar. Não consigo voar. Tenho ajuda para o fazer, sei que tenho. Mas sou um pássaro livre que precisa de encontrar o seu caminho e propósito. E com o tempo as asas vão-se curar e vou conseguir voar outra vez. A esperança é a última a morrer, tem que ser. De que vale viver se não acreditarmos que um dia tudo se resolverá?
Dezembro de 2005
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