domingo, 31 de maio de 2015

sábado, 23 de maio de 2015

quinta-feira, 21 de maio de 2015


Ludovido Einaudi: Fly

Faz-me pensar em mim...


Greg Laswell: Comes and goes

sábado, 16 de maio de 2015

domingo, 10 de maio de 2015

Tem dias...


... que eu não os consigo afastar.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Time...

O tempo voa mas o tempo não passa...

domingo, 3 de maio de 2015

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Resumindo...


... os meus fins-de-semana em Lisboa!

segunda-feira, 27 de abril de 2015

quinta-feira, 23 de abril de 2015

domingo, 12 de abril de 2015

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O meu mar


A auto-estrada estava caótica como sempre. Pessoas em desespero para chegar a casa mais rápido, as luzes são deixadas lá trás e por pouco não há acidentes graves, apenas os habituais. Fim de tarde e chego à praia. Aquela praia que tanto gosto onde a terra ali ao lado é o ponto mais ocidental da Europa. Não tem ninguém, apenas se ouve a música do mar, as ondas batendo lentamente na areia como a cumprimentá-la. Sento-me na areia ainda quente pelo sol que resolveu aparecer desde há muitos dias, e pela primeira vez de há muito tempo sinto-me aconchegada com este calor. Ouço o que o mar tem para me dizer, é a única coisa que me acalma e me ajuda a pensar. A sua melodia, bate uma onda e depois a outra, mas se repararem bem nele vão descobrir que ele nunca bate da mesma maneira, que o som é sempre diferente. Ele é o meu Deus, é o que me dá paz interior e os melhores conselhos. Como é que as pessoas vão à praia e não se apercebem do seu imenso poder? Tem o poder do mundo, sem ele não havia vida, por isso é a ele que eu agradeço por me ter dado a oportunidade única de viver. Para mim o mar é tudo e todos e não é ninguém. É simplesmente a origem da vida...

Eu sou um pouco de mar, toda as pessoas conhecem-me mas não sabem os mundos e os mistérios que habitam dentro de mim. A vida e tudo o que ela tem de bom e mau está dentro dele assim como em mim. Era preciso uma vida inteira para conhecer o mar e essa vida precisaria de séculos e milénios, era preciso uma vida inteira para me conhecer, mas não são necessários séculos e milénios para descobrir os mundos e os mistérios que aqui habitam.

Nas alturas más é a ele que eu peço forças, apesar de não vir muitas vezes aqui, ele habita dentro de mim e vem sempre que eu preciso de ajuda. Sem ele não sou ninguém, não sou nada, nem sequer sou pó. Nestas alturas rodeio-me de coisas que me façam lembrar que o mar existe, tento sentir um pouco do seu cheiro apesar de estar longe. Fecho os olhos e imagino-me de volta a este sítio onde estou sentada, do que me rodeia, daquilo que penso e que sinto ao ver e ouvir o mar ali à frente.

Mas apesar de ter aqui o mundo na palma da minha mão sinto-me só. De que vale ter o mundo se não temos ninguém com quem partilhar? De que vale ter o mar se não há ninguém para amá-lo como eu? De que vale ter o paraíso se ninguém acredita nele?

Com todas estas incertezas, dúvidas, tristezas lanço-me ao mar. Dou um mergulho e ele faz com que eu me sinta viva por dentro e por fora, mas também acontece o oposto, sinto também como seria maravilhoso morrer aqui e agora junto do meu Deus. De olhos e sentidos bem abertos ouço o silêncio que existe lá em baixo, da paz que me percorre a alma, o coração e o corpo. Seria uma morte bela esta. Mas ele não quer que eu morra, empurra-me para a beira-mar e fala-me da coisa mais importante da vida que é a própria vida, diz-me que as coisas más são para me tornar mais forte e para aprender com elas. Que tudo tem um propósito mesmo que não pareça, que é preciso continuar a sentir e a viver. Que enquanto a esperança existir existe também a vida. Que mais vale viver do que sobreviver. E é aí nesse mesmo instante que eu torno-me mais forte, que quero viver cada dia como se fosse o último. Não pensar no amanhã e sim no hoje.

Saio da água, e vou de novo para a areia seca, mas desta vez sou eu quem aquece a areia. E enquanto me seco olho para o meu Deus e penso que sou a pessoa mais sortuda do mundo pois tenho o mar para me proteger. As gotas de água caem pela minha cara, são salgadas mas não sei distinguir entre as lágrimas do mar das minhas. Entrei triste e amargurada e saí feliz e com esperança. Abraço-me a mim mesma porque acima de tudo tenho que gostar de mim mesma e sinto-me aconchegada com os meus braços à minha volta. Preparo-me para me levantar lentamente para não magoar a areia.

E é nesta altura que me venho embora e olho apenas uma vez para trás, é o suficiente para aprender com o passado e enquanto olho para o mar e ouço a sua música sei que estou preparada para olhar em frente e viver uma vez mais o dia de amanhã.

Julho de 2002 e 2006

quarta-feira, 8 de abril de 2015

34 anos...


Há dois anos que comecei este blog. O tempo voa e o tempo passa... Criei este espaço para mim, para recordar as vivências e as memórias. Para recordar as coisas boas e também as más. Já chorei a escrever e já sorri a escrever. Já expulsei fantasmas e já os guardei.

Há dois anos que criei este meu espaço. As coisas simples da vida. As coisas simples de mim...

Vejo-me ultimamente com uma ânsia de voltar a escrever. De voltar a pôr tudo cá para fora. Vejo-me presa ao tempo que teima em voar. Preciso de voar, preciso de criar novas coisas. Sinto-me presa a um tempo que passa a correr, sinto-me presa a um espaço que adoro.

Parabéns para mim e parabéns ao meu blog. E o tempo voa e o tempo passa e invariavelmente olho para trás e vejo tudo o que conquistei e não me sinto bem com isso, não me sinto realizada. Preciso de voar como o tempo, preciso de voar em direção àquela meta.

Olho para trás no tempo e revejo-me há dez anos atrás. Quando tinha 24 anos e pensava que tinha o mundo pela frente. Imaginava-me como seria daí a dez anos. Passaram dez anos e não estou sequer perto da vida que imaginei. E por isso decidi que a minha vida precisa de uma grande volta. Preciso de voltar aos meus, preciso de voltar à minha cidade. Preciso de fazer coisas novas, de ultrapassar obstáculos, preciso de pensar em mim, nos objetivos que tinha e o que me faltou fazer.

Parabéns para mim e parabéns ao meu blog. E o tempo voa e o tempo passa...

Só não podem passar mais dez anos ou dois anos...

sábado, 4 de abril de 2015

sábado, 28 de março de 2015

Lentamente...


... vai-se desconstruindo a muralha.

terça-feira, 24 de março de 2015

sábado, 21 de março de 2015

quinta-feira, 19 de março de 2015

quarta-feira, 18 de março de 2015

Someone lost a letter...


Houve um dia que passeava por uns jardins, estava um dia muito bonito, daqueles que não faz frio nem calor, o sol brilhava no céu azul. Andava a passear por esse jardim sozinha embrenhada com os meus pensamentos, é sempre a melhor terapia que encontro quando o stress de viver numa cidade agitada torna-se demasiado insuportável. Fugir da cidade e ir para um sítio qualquer onde não hajam pessoas, carros, barulho, poluição. Ar fresco para a cara, ar fresco para os pulmões, ar fresco para a alma. No último destes passeios decidi escolher um local onde a história reina. Onde há muralhas, palácios e jardins secretos para desvendar. Andava perdida por esses jardins encantados e imaginar como tinha sido a vida das pessoas que ali viveram, que mistérios, sonhos, histórias de amor teriam acontecido ali. E foi numa dessas muitas ruínas que vi um papel branco abandonado. Estava num local de difícil acesso mas intrigou-me porque estaria ali um papel abandonado. Naquele segundo a curiosidade falou mais alto e dei por mim a ir buscar o papel. Com muito cuidado para não cair pois a altura era equivalente a 9 andares, pondo as mãos e os pés em pequenas fendas lá consegui apanhar o papel e voltar para um lugar seguro. Abri o papel e vi que tinha uma escrita antiga, que era uma carta. Mas não poderia ler ali, precisava de um sítio especial pensei eu. Fui à procura de um banco de jardim no meio de flores. Sentei-me e comecei a ler o papel.

Meu amor,
Há muito tempo que parti é certo. Foram há meses mas parece uma vida inteira. A vida aqui não tem sido fácil. Temos pouca comida, a chuva não pára há semanas e as saudades de ti aperta a cada dia que passa. Ainda não levei nenhum tiro e não tenho nenhum arranhão, sei o quanto isso te preocupa. Por vezes penso em como seria bom levar um tiro numa perna e ficar inválido, era da maneira que estaria contigo mais cedo do que o previsto. Como em todas as guerras, esta não tem fim à vista e parece-me que não acaba nos próximos meses. O nosso filho já nasceu e eu nunca lhe vi a cara. É parecido com quem? Espero que tenha os olhos da mãe. São vocês a minha esperança, a minha força de continuar dia após dia aqui e não desistir. Ontem o meu melhor amigo morreu a caminho de casa, estava inválido e deram-lhe a licença para ir para casa mas houve uma emboscada e nenhum sobreviveu. Malditos estes homens que não deixam ninguém vivo e matam indiscreminadamente. Fiquei sem ele e o desespero tem sido grande, há momentos que acho que vou explodir de tristeza. As noites não têm sido boas companheiras e choro todos os dias como um bébé, só a ti posso dizer isto, só a ti posso mostrar a minha fraqueza e desabafar. É a tua imagem que vem aos meus sonhos todos os dias dar-me a força para acordar de manhã. Lembras-te quando éramos ainda crianças e íamos pescar na casa que agora é a nossa? E daquela vez que eu desequilibrei-me e caí dentro de água? Um sorriso, um simples sorriso habita agora na minha cara ao pensar nesses dias e em como eras bonita na altura e ainda és mais agora. Como estas saudades apertam meu Deus. Como tem sido difícil isto tudo. Mas não te quero pôr triste, longe de mim fazer isso, és a pessoa mais importante da minha vida e o nosso filho é a prova do nosso amor. Espero que ao leres estas linhas agora tenhas aquele sorriso que tanto gosto e que não estejas a chorar. Amanhã escreverei mais uma carta, como o fiz até agora e vou continuar a fazer até ao meu regresso, já que não podemos estar juntos ao menos tens as minhas palavras todos os dias. Espero voltar em breve.
Da pessoa que mais te ama neste mundo,
Manuel

Acabo de ler esta carta e dou por mim banhada em lágrimas. Quem terão sido estas pessoas? O que terá acontecido a este amor? Será que voltaram a estar juntos? Que guerra terá sido? Estas e muitas outras perguntas vêm à minha cabeça. Sinto-me tentada em descobrir a história deles e ponho mãos à obra sem saber o que me esperava. Não seria uma história feliz nem tão pouco uma triste. Seria uma história de mistérios e de fantasmas, mas precisei de o fazer. Foi através desta carta que a minha vida mudou radicalmente. Foi por uma simples curiosidade humana que acabei por conhecer estas pessoas de outrora, que acabei por me conhecer...

P.S. - Continua no próximo capítulo desta ficção. Quando tiver estas epifanias (já decorei o significado que teimava em desaparecer da cabeça!).

Março de 2006