segunda-feira, 27 de julho de 2015

...


Friendship...

Vocês largaram tudo para vir ter comigo:

  • quando o meu avô faleceu...
  • quando a minha mãe foi para o hospital...
  • quando a minha mãe esteve internada...
  • quando a minha mãe foi a segunda vez para o hospital...
  • quando eu mudei de curso...
  • quando eu me casei...
  • quando a minha mãe foi a terceira vez para o hospital...
  • quando eu me divorciei...

Vocês são as pessoas que mais lágrimas viram cair da minha cara. As pessoas que mais me abraçaram. As pessoas que ajudaram nas minhas sucessivas curas de coração. As pessoas que tentaram remendar quando sofri perdas.

Vocês não são os meus amigos, vocês são a minha família...

terça-feira, 21 de julho de 2015

One more year...


É a escolha certa... Só ainda não sei se é para mim também...

quinta-feira, 16 de julho de 2015

364 dias

O ano devia ter 364 dias... Este dia podia ser removido...

Será que é possível pedir para tirar este dia? Eu gostava que sim...

Já percebi que este dia nunca passará em claro. Que este dia nunca será igual aos outros.

Posso tirá-lo da minha vida? Vá lá, por favor...

Não o quero esquecer mas também não o queria lembrar... Estranho e complexo isto! Será sempre uma ferida aberta este dia. Será sempre das melhores recordações que tenho.

Se calhar estou a precisar de fazer psicoterapia e urgentemente e talvez assim aceite melhor que o ano tenha 365 dias. Mas até lá posso pedir para este dia não existir?

(acho que nunca vou superar isto... SHIT!!!)

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Cansada...


Como é que as coisas chegam a este ponto? Como é que eu chego a um nível de tristeza como este? Há coisas que doem e coisas que magoam... Já não consigo sorrir, rir sim mas sorrir já não dá...

As noites agora resumem-se a dormir uma noite seguida por semana porque o cansaço é superior. A saúde está a deteriorar-se. A vontade de comer foi-se há muito. O nível de preocupação e ansiedade não baixa.

Estou cansada de estar sozinha, estou cansada de passar por coisas sozinha. Estou cansada de comemorar coisas sozinha. Estou cansada de chorar sozinha. Estou farta de falar ao telefone. Estou farta de não ter tempo para os meus. Estou farta de fazer viagens para cima e para baixo.

Estou sobretudo farta de não ter planos para o futuro. Estou farta de não ter expectativas. Estou farta de não ter sonhos. Estou a ver a vida a passar à frente dos meus olhos.

Por vezes falta-me a coragem de arriscar, por vezes penso que o melhor é ficar quieta. Mas depois penso em tudo o que está escrito acima e acabo a chorar. Estou tão farta de chorar...

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Ao meu avô...

Há 6 anos escrevi isto ao meu avô e continua a ser tão verdade hoje... E o coração continua tão pequenino!

Ao meu avô, esteja ele onde estiver…

Queria escrever isto, precisava de dizer isto. Dizer um último adeus sentido ao meu avô.

Hoje morreu uma parte do meu coração, hoje eu dei uma parte do meu coração. A falta que essa parte do meu coração faz, dói e com o tempo será preenchido com alegrias, recordações, todos os segundos que estive com o avô.

Se tivesse que descrever como era o meu avô não saberia o que dizer. O que dizer de uma vida tão preenchida? O que dizer de uma pessoa tão especial e tão única para mim? Meras palavras podem dizê-lo…

Mas sei que onde quer que esteja, para crentes ou não, levará para sempre uma parte da minha avó, de mim, do meu pai e da minha tia, dos meus irmãos e primos, dos amigos, de todas as pessoas que estão aqui à volta.

Para os amigos não sei como era, para mim era o meu avô. Aquele senhor sempre todo composto, aquele senhor sempre calado e reservado, aquele senhor que não mostrava o que lhe ia na alma. Mas veio a doença e com ela veio um novo avô. Ainda me lembro de miúda apenas dar um beijinho de olá e outro de adeus, mas nunca um abraço. Nos últimos dias, meses e poucos anos, esses abraços vieram.

Da maneira como o via, o meu avô nunca mostrou fisicamente aquilo que sentia, mas os olhos reflectem o coração e sempre soube como ele era. Uma pessoa excepcional em todos os sentidos.

A sua escrivaninha sempre impecável era quase um altar que nós não podíamos tocar e sempre foi assim até hoje. Era sempre uma felicidade poder fazer um desenho em cima dela.

Lembro-me tão bem de ir passar fins-de-semana a casa dos avós e o avô chamar-me sem ninguém ver e dar-me uma barra de 900g de chocolate Cadbury’s com nozes e passas. Até hoje eram os melhores chocolates do mundo e nunca me esquecerei disso. Chocolates dados sem ninguém ver nem desconfiar. Não era por mal, era o meu avô.

Lembro-me do Pingo e como nos primeiros tempos o avô não gostava dele. Mas os cães sabem quem são as pessoas e acredito que os animais consigam distinguir entre uma pessoa boa e má. O cão logo que entrou em casa foi ter com o avô e assim ficava todas as tardes e noites aos pés do avô. O avô era uma pessoa boa.

Cedo comecei a minha paixão pelos golfinhos e cedo começaram a dar-me presentes com golfinhos. A quantidade de coisas de golfinhos que tenho é impressionante mas há duas que hei-de guardar para sempre. Para onde quer que vá elas irão comigo. Não quero ferir ninguém com estas palavras, mas eram do meu avô que nunca deu presentes a ninguém. Era a avó que tratava sempre de tudo, até os presentes que o avô comprava para mim, o avô nunca me deu nenhum, não sei se era capaz ou não. Mas apesar de tudo são os que mais gostei até hoje, porque sei que ele se lembrou de mim enquanto esteve fora. Porque sei que via coisas com golfinhos e lembrava-se de mim. Sei que ele lembrava-se dos manos e dos primos, mas era o avô e como tal sabíamos que se lembrava mas nunca mostrava.

Nunca conhecerá os meus filhos ou netos, mas quero que eles saibam o avô que eu tinha. Quero mostrar fotografias e dizer que o meu avô era assim. Quero contar tudo o que está escrito aqui e tudo aquilo que agora não me lembro. Quero contar que apenas uma única vez joguei às cartas com ele e como jogava bem. Jogávamos canasta com a avó e o avô nunca deu o monte. Foi o jogo mais divertido que tive até hoje.

Há anos que em cima da minha cómoda está uma caixinha em forma de coração com uma joaninha lá dentro. Presente do avô dado pela avó quando vieram uma vez dos Estados Unidos na altura do Dia dos Namorados. Todos os dias olho para ela, e todos os dias lembro-me do avô. Tenho-a agora na mão para me fazer companhia neste momento, porque o meu coração está deste tamanho, pequenino. Há quem dê jóias de famílias, livros, objectos, mas um dia darei aos meus filhos que passarão aos meus netos esta joaninha dentro de um coração. É das coisas mais preciosas que tenho e que terei sempre.

Tenho a vida toda pela frente, tenho um mundo para descobrir. Agora essa vida e esse mundo tornaram-se novos para mim. Amanhã será um novo dia, um novo acordar. A vida continua e com certeza que o meu avô não gostaria que não fosse assim. Para onde quer que vá, seja de que maneira escolher viver a vida, levarei para sempre até morrer um cantinho do meu coração muito especial guardado para o avô que agora me deixa. Simplesmente adoro até morrer este avô...

quarta-feira, 10 de junho de 2015

To go or not to go...


To go...

But how?

That's my battle...

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Irresponsável + inconsciente = coragem + destemida


(Tenho mesmo que me concentrar na segunda frase)

Ontem tive mais uma discussão com a minha mãe. Mas desta vez doeu mais na alma do que das outras vezes. Adorava contar com o apoio dela, que me desse força, que me dissesse que estava a ser corajosa e que me admirava por causa disso. Mas não... Em vez disso, tem sido sempre a dizer que sou inconsciente, que estou a cometer uma loucura, que fui responsável até agora e que parece que perdi o discernimento. Que o apoio que eu quero é do meu pai que também não tem consciência do que está a acontecer...

De repente tenho que ter segredos uns dos outros. Estou longe, estou a 300km de todos e agora até nas conversas tenho que pensar no que posso dizer ou não. Estou de tal maneira alienada de tudo e de todos que ninguém percebe o que passei até agora. Que ninguém se importa se eu sei ou não das coisas. Que coisas que são importantes são esquecidas de me contar. Isto custa, isto dói e muito...

Estou longe há cinco anos. Passei por muito neste tempo, cresci, lutei, caí, levantei-me, sorri muito e já chorei muito. Aprendi a chorar sozinha, aprendi a lidar com a minha solidão. Aprendi a calar-me e a fechar-me do mundo. Para os outros é muito fácil estar no conforto com a família e os amigos ao lado. Dizem que entendem e percebem a minha decisão mas na realidade nunca ninguém passou por aquilo que eu passei. Já chega, já cheguei ao limite de solidão.

Ontem doeu-me tanto e custou-me tanto. Senti as pernas a fraquejar, senti a coragem a ir-se embora. Perdi a esperança e pus tudo em causa. Até ouvi que devia ser egoísta quando houve a operação e que eu estando cá em cima sozinha não era motivo suficiente para a minha decisão.

Ainda hoje as lágrimas escorrem pela cara em catadupa. As pessoas são tão egoístas no conforto com a família e os amigos ao lado. Coisas atiradas à cara sem dó nem piedade. Um mês e meio sem ir a Lisboa porque estou a fazer um esforço para poupar dinheiro e no entanto não sou poupada a tudo o resto. É tão fácil gritar pelo telefone e chamar inconsciente e irresponsável. É tão fácil comparar e arranjar exemplos para acabar com a minha esperança.

Gostava tanto de ser corajosa e destemida e no entanto lentamente estou a perder isso. O certo e o errado deixaram de existir. Estou certa para uns e errada para outros.

Não preciso de ajuda de ninguém, ajuda assim não quero. Tenho a minha decisão tomada e não quero voltar atrás mesmo que esteja neste momento a questionar tudo...

Estou numa guerra quando deveria ser tudo ao contrário. Estou em plena guerra contra mim quando deveria estar enorme e gigante cheia de força e coragem.

Não aguento mais conversas e mais discussões destas...

Vou ligar ao meu pai...

domingo, 31 de maio de 2015

sábado, 23 de maio de 2015

quinta-feira, 21 de maio de 2015


Ludovido Einaudi: Fly

Faz-me pensar em mim...


Greg Laswell: Comes and goes

sábado, 16 de maio de 2015

domingo, 10 de maio de 2015

Tem dias...


... que eu não os consigo afastar.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Time...

O tempo voa mas o tempo não passa...

domingo, 3 de maio de 2015

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Resumindo...


... os meus fins-de-semana em Lisboa!

segunda-feira, 27 de abril de 2015

quinta-feira, 23 de abril de 2015

domingo, 12 de abril de 2015

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O meu mar


A auto-estrada estava caótica como sempre. Pessoas em desespero para chegar a casa mais rápido, as luzes são deixadas lá trás e por pouco não há acidentes graves, apenas os habituais. Fim de tarde e chego à praia. Aquela praia que tanto gosto onde a terra ali ao lado é o ponto mais ocidental da Europa. Não tem ninguém, apenas se ouve a música do mar, as ondas batendo lentamente na areia como a cumprimentá-la. Sento-me na areia ainda quente pelo sol que resolveu aparecer desde há muitos dias, e pela primeira vez de há muito tempo sinto-me aconchegada com este calor. Ouço o que o mar tem para me dizer, é a única coisa que me acalma e me ajuda a pensar. A sua melodia, bate uma onda e depois a outra, mas se repararem bem nele vão descobrir que ele nunca bate da mesma maneira, que o som é sempre diferente. Ele é o meu Deus, é o que me dá paz interior e os melhores conselhos. Como é que as pessoas vão à praia e não se apercebem do seu imenso poder? Tem o poder do mundo, sem ele não havia vida, por isso é a ele que eu agradeço por me ter dado a oportunidade única de viver. Para mim o mar é tudo e todos e não é ninguém. É simplesmente a origem da vida...

Eu sou um pouco de mar, toda as pessoas conhecem-me mas não sabem os mundos e os mistérios que habitam dentro de mim. A vida e tudo o que ela tem de bom e mau está dentro dele assim como em mim. Era preciso uma vida inteira para conhecer o mar e essa vida precisaria de séculos e milénios, era preciso uma vida inteira para me conhecer, mas não são necessários séculos e milénios para descobrir os mundos e os mistérios que aqui habitam.

Nas alturas más é a ele que eu peço forças, apesar de não vir muitas vezes aqui, ele habita dentro de mim e vem sempre que eu preciso de ajuda. Sem ele não sou ninguém, não sou nada, nem sequer sou pó. Nestas alturas rodeio-me de coisas que me façam lembrar que o mar existe, tento sentir um pouco do seu cheiro apesar de estar longe. Fecho os olhos e imagino-me de volta a este sítio onde estou sentada, do que me rodeia, daquilo que penso e que sinto ao ver e ouvir o mar ali à frente.

Mas apesar de ter aqui o mundo na palma da minha mão sinto-me só. De que vale ter o mundo se não temos ninguém com quem partilhar? De que vale ter o mar se não há ninguém para amá-lo como eu? De que vale ter o paraíso se ninguém acredita nele?

Com todas estas incertezas, dúvidas, tristezas lanço-me ao mar. Dou um mergulho e ele faz com que eu me sinta viva por dentro e por fora, mas também acontece o oposto, sinto também como seria maravilhoso morrer aqui e agora junto do meu Deus. De olhos e sentidos bem abertos ouço o silêncio que existe lá em baixo, da paz que me percorre a alma, o coração e o corpo. Seria uma morte bela esta. Mas ele não quer que eu morra, empurra-me para a beira-mar e fala-me da coisa mais importante da vida que é a própria vida, diz-me que as coisas más são para me tornar mais forte e para aprender com elas. Que tudo tem um propósito mesmo que não pareça, que é preciso continuar a sentir e a viver. Que enquanto a esperança existir existe também a vida. Que mais vale viver do que sobreviver. E é aí nesse mesmo instante que eu torno-me mais forte, que quero viver cada dia como se fosse o último. Não pensar no amanhã e sim no hoje.

Saio da água, e vou de novo para a areia seca, mas desta vez sou eu quem aquece a areia. E enquanto me seco olho para o meu Deus e penso que sou a pessoa mais sortuda do mundo pois tenho o mar para me proteger. As gotas de água caem pela minha cara, são salgadas mas não sei distinguir entre as lágrimas do mar das minhas. Entrei triste e amargurada e saí feliz e com esperança. Abraço-me a mim mesma porque acima de tudo tenho que gostar de mim mesma e sinto-me aconchegada com os meus braços à minha volta. Preparo-me para me levantar lentamente para não magoar a areia.

E é nesta altura que me venho embora e olho apenas uma vez para trás, é o suficiente para aprender com o passado e enquanto olho para o mar e ouço a sua música sei que estou preparada para olhar em frente e viver uma vez mais o dia de amanhã.

Julho de 2002 e 2006

quarta-feira, 8 de abril de 2015

34 anos...


Há dois anos que comecei este blog. O tempo voa e o tempo passa... Criei este espaço para mim, para recordar as vivências e as memórias. Para recordar as coisas boas e também as más. Já chorei a escrever e já sorri a escrever. Já expulsei fantasmas e já os guardei.

Há dois anos que criei este meu espaço. As coisas simples da vida. As coisas simples de mim...

Vejo-me ultimamente com uma ânsia de voltar a escrever. De voltar a pôr tudo cá para fora. Vejo-me presa ao tempo que teima em voar. Preciso de voar, preciso de criar novas coisas. Sinto-me presa a um tempo que passa a correr, sinto-me presa a um espaço que adoro.

Parabéns para mim e parabéns ao meu blog. E o tempo voa e o tempo passa e invariavelmente olho para trás e vejo tudo o que conquistei e não me sinto bem com isso, não me sinto realizada. Preciso de voar como o tempo, preciso de voar em direção àquela meta.

Olho para trás no tempo e revejo-me há dez anos atrás. Quando tinha 24 anos e pensava que tinha o mundo pela frente. Imaginava-me como seria daí a dez anos. Passaram dez anos e não estou sequer perto da vida que imaginei. E por isso decidi que a minha vida precisa de uma grande volta. Preciso de voltar aos meus, preciso de voltar à minha cidade. Preciso de fazer coisas novas, de ultrapassar obstáculos, preciso de pensar em mim, nos objetivos que tinha e o que me faltou fazer.

Parabéns para mim e parabéns ao meu blog. E o tempo voa e o tempo passa...

Só não podem passar mais dez anos ou dois anos...

sábado, 4 de abril de 2015

sábado, 28 de março de 2015

Lentamente...


... vai-se desconstruindo a muralha.

terça-feira, 24 de março de 2015

sábado, 21 de março de 2015

quinta-feira, 19 de março de 2015

quarta-feira, 18 de março de 2015

Someone lost a letter...


Houve um dia que passeava por uns jardins, estava um dia muito bonito, daqueles que não faz frio nem calor, o sol brilhava no céu azul. Andava a passear por esse jardim sozinha embrenhada com os meus pensamentos, é sempre a melhor terapia que encontro quando o stress de viver numa cidade agitada torna-se demasiado insuportável. Fugir da cidade e ir para um sítio qualquer onde não hajam pessoas, carros, barulho, poluição. Ar fresco para a cara, ar fresco para os pulmões, ar fresco para a alma. No último destes passeios decidi escolher um local onde a história reina. Onde há muralhas, palácios e jardins secretos para desvendar. Andava perdida por esses jardins encantados e imaginar como tinha sido a vida das pessoas que ali viveram, que mistérios, sonhos, histórias de amor teriam acontecido ali. E foi numa dessas muitas ruínas que vi um papel branco abandonado. Estava num local de difícil acesso mas intrigou-me porque estaria ali um papel abandonado. Naquele segundo a curiosidade falou mais alto e dei por mim a ir buscar o papel. Com muito cuidado para não cair pois a altura era equivalente a 9 andares, pondo as mãos e os pés em pequenas fendas lá consegui apanhar o papel e voltar para um lugar seguro. Abri o papel e vi que tinha uma escrita antiga, que era uma carta. Mas não poderia ler ali, precisava de um sítio especial pensei eu. Fui à procura de um banco de jardim no meio de flores. Sentei-me e comecei a ler o papel.

Meu amor,
Há muito tempo que parti é certo. Foram há meses mas parece uma vida inteira. A vida aqui não tem sido fácil. Temos pouca comida, a chuva não pára há semanas e as saudades de ti aperta a cada dia que passa. Ainda não levei nenhum tiro e não tenho nenhum arranhão, sei o quanto isso te preocupa. Por vezes penso em como seria bom levar um tiro numa perna e ficar inválido, era da maneira que estaria contigo mais cedo do que o previsto. Como em todas as guerras, esta não tem fim à vista e parece-me que não acaba nos próximos meses. O nosso filho já nasceu e eu nunca lhe vi a cara. É parecido com quem? Espero que tenha os olhos da mãe. São vocês a minha esperança, a minha força de continuar dia após dia aqui e não desistir. Ontem o meu melhor amigo morreu a caminho de casa, estava inválido e deram-lhe a licença para ir para casa mas houve uma emboscada e nenhum sobreviveu. Malditos estes homens que não deixam ninguém vivo e matam indiscreminadamente. Fiquei sem ele e o desespero tem sido grande, há momentos que acho que vou explodir de tristeza. As noites não têm sido boas companheiras e choro todos os dias como um bébé, só a ti posso dizer isto, só a ti posso mostrar a minha fraqueza e desabafar. É a tua imagem que vem aos meus sonhos todos os dias dar-me a força para acordar de manhã. Lembras-te quando éramos ainda crianças e íamos pescar na casa que agora é a nossa? E daquela vez que eu desequilibrei-me e caí dentro de água? Um sorriso, um simples sorriso habita agora na minha cara ao pensar nesses dias e em como eras bonita na altura e ainda és mais agora. Como estas saudades apertam meu Deus. Como tem sido difícil isto tudo. Mas não te quero pôr triste, longe de mim fazer isso, és a pessoa mais importante da minha vida e o nosso filho é a prova do nosso amor. Espero que ao leres estas linhas agora tenhas aquele sorriso que tanto gosto e que não estejas a chorar. Amanhã escreverei mais uma carta, como o fiz até agora e vou continuar a fazer até ao meu regresso, já que não podemos estar juntos ao menos tens as minhas palavras todos os dias. Espero voltar em breve.
Da pessoa que mais te ama neste mundo,
Manuel

Acabo de ler esta carta e dou por mim banhada em lágrimas. Quem terão sido estas pessoas? O que terá acontecido a este amor? Será que voltaram a estar juntos? Que guerra terá sido? Estas e muitas outras perguntas vêm à minha cabeça. Sinto-me tentada em descobrir a história deles e ponho mãos à obra sem saber o que me esperava. Não seria uma história feliz nem tão pouco uma triste. Seria uma história de mistérios e de fantasmas, mas precisei de o fazer. Foi através desta carta que a minha vida mudou radicalmente. Foi por uma simples curiosidade humana que acabei por conhecer estas pessoas de outrora, que acabei por me conhecer...

P.S. - Continua no próximo capítulo desta ficção. Quando tiver estas epifanias (já decorei o significado que teimava em desaparecer da cabeça!).

Março de 2006

domingo, 15 de março de 2015

A minha árvore preferida do jardim

Esta é a minha árvore preferida do meu jardim. É também um quadro de Van Gogh e também tive que comprar o poster. É um pedaço de papel, não é pintado mas não quero saber. A intenção é que conta.

Adoro esta árvore porque é a única que tem flores. Uma amendoeira encontra-se no meio do jardim e hoje subi a ela. O tronco representa a força, as flores brancas representam a paz. São poucas as vezes que subo a esta árvore. Só mesmo em alturas especiais. E hoje foi uma delas. Decidi sentar-me no ramo mais grosso. Pés esticados e costas contra o tronco olhei cá para baixo. Precisava de me elevar acima de todas as coisas. Precisava de olhar cá para baixo e ver as formiguinhas que passavam.

Há coisas que me deixam mal, há fantasmas que não me largam e por vezes subir à árvore é a melhor coisa que faço. É o meu refúgio, é o meu canto. Por vezes tenho vontade de desaparecer deste mundo por uns dias e como não posso, nem é possível que tal aconteça, refugio-me em cima da árvore. É para ela que olho quando desvio os olhos das pessoas. É para ela que olho enquanto passeio por algum sítio. Não estou no mundo da Lua, estou simplesmente a olhar para ela. E perco-me, e encontro-me nela. E faço perguntas mas não oiço respostas. E faz-me perguntas e não sei responder.

Mas numa coisa estamos ambas de acordo. A vida não é justa. A vida não é simples. Ter uma vida banal e normal é coisa que nunca terei. Nunca saberei experimentar isso. Coisas fúteis e banais nunca me preocupei. E por ter tido uma vida extraordinária nunca conseguirei ter a paz de que tanto procuro. Não poderia ter, apenas posso sonhar. Mas enganem-se aqueles que pensam que a vida extraordinária que tive foi boa. Não, não foi. Passei por muito mas isso fica para mim...

Sou um pássaro com as asas partidas que deambula por aí. Já voei e já caí, e neste momento com as asas ligadas trepo a custo para cima da árvore. E a única coisa que conforta o eu, pássaro é o eu, pessoa. Mas não sei voar. Não consigo voar. Tenho ajuda para o fazer, sei que tenho. Mas sou um pássaro livre que precisa de encontrar o seu caminho e propósito. E com o tempo as asas vão-se curar e vou conseguir voar outra vez. A esperança é a última a morrer, tem que ser. De que vale viver se não acreditarmos que um dia tudo se resolverá?

Dezembro de 2005

segunda-feira, 9 de março de 2015

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Não estou sozinha...


... mas nestes últimos são mais as vezes que me senti assim do que ao contrário. Acho que me tornei numa eremita. E o problema é que me habituei a isso e gosto de estar assim. Gosto de partilhar, gosto de viver momentos  com as pessoas. Mas gosto tanto da minha solidão que às vezes é assustador. Às vezes dou por mim a desejar estar sozinha, sem que o telefone toque, sem que tenha que fazer algum programa.

Às vezes simplesmente adoro estar como se está nesta imagem...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Um dia...

Gostava de ser o número 1 numa lista...

Até hoje nunca fui... Talvez um dia...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Ontem morri...

Ontem decidi morrer. Não me sentia bem. Estava demasiado triste para suportar a vida. A vida tinha sido demasiado injusta e num dia eu fui-me abaixo. Talvez tenha sido a explosão de um acumular de coisas tristes. Tinha percebido que a vida simplesmente não era justa e por mais que tentasse amá-la, vivê-la, ela puxava o tapete. Decidi que não iria levar a melhor. E que estava farta das partidas dela. Ontem morri...


Decidi ter uma morte bela. Uma morte como eu queria. Aproveitei o facto de ficar sozinha para tentar organizar a vida que deixava para trás. Um testamento feito com as poucas coisas que tenho mas que são importantes. Cada coisa tinha o seu destino. E decidi dar tudo. Afinal não precisava de coisas materiais para onde ia. A única coisa que precisava naquele momento era paz. E nenhuma coisa material me dava isso. Ontem morri...


Calmamente fui à casa-de-banho, enchi a banheira de água. Sem qualquer pinga de água fria. Pois o efeito não seria o mesmo e a morte não era bela. Enquanto a água corria fui escolher a minha melhor roupa. Queria ser encontrada com um ar sereno e com a minha roupa preferida. Troquei de roupa muito calmamente. Não havia pressa. Para onde ia o tempo não importava. Ontem morri...


A música também tinha que ser escolhida a dedo. Bandas sonoras que atravessaram a minha vida. Que trazem recordações, pessoas, momentos. Tinha que ser uma música especial. Quem me encontrasse tinha que ficar maravilhado com o cenário e não chocado. Tinha que sonhar onde eu estaria e não olhar simplesmente para um corpo sem vida. Ontem morri...


Depois de tudo estar pronto, entrei na banheira calmamente. A água estava a ferver e evaporava-se a uma velocidade louca. Na casa-de-banho já existia uma bruma. Não humidade no ar pois estragaria o efeito do cenário, do sonho, do encantamento. Deitei-me lentamente. A banheira tinha aumentado de repente. As minhas pernas conseguiam ficar esticadas. Obrigada por este gesto encantado. Ontem morri...


Não senti dor. A pele queimava. O calor seria insuportável para qualquer pessoa. Mas não para mim. Era um calor apaziguante, ternurento. Eu era especial e merecia uma morte bela. Não podia ser de maneira diferente, banal. Pus a cabeça dentro de água. Fechei os olhos para o mundo. Para a vida. E com um sorriso gigantesco na cara deixei-me ir. Não senti dor, não senti medo, não senti nada de mau. Senti a paz a percorrer-me o corpo. Lentamente dos pés à cabeça. Não poderia ser de outra forma. Não podia começar pela cabeça pois deixaria de ser uma morte bela. Não me lembro quando o cérebro finalmente desligou-se. Quando o coração deixou de bater. Apenas a paz e os sonhos perduraram. Ontem morri... E foi a morte mais bela que alguma vez vi. E consegui dar eu um murro à vida. Passei-lhe a perna e nem deu por isso. E ontem sem mais nem menos eu morri...

Dezembro de 2005

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Depois das conversas com a minha mãe...


Eu devia falar mais...


Tenho que voltar a falar. Tenho que voltar a aprender a falar e a desabafar. Existem cicatrizes e marcas que a vida nos deixa e nem damos conta delas. Com tudo o que aconteceu nestes últimos meses percebi que desde que vim viver para longe que fui criando as minhas defesas, que fui criando a minha solidão. Começo a perceber que o processo todo que fiz para poupar os que mais gostava agora é uma barreira, uma muralha neste momento. Aprendi a sofrer em silêncio, aprendi a fechar-me e a isolar-me do mundo e percebo que já sou profissional nisso. É mais fácil assim apesar de não ser o mais correto (talvez).

Para mim sempre foi mais fácil escrever do que falar tudo o que vai cá dentro. Na altura que tinha um blog que toda a gente conhecia as pessoas mais próximas ficavam a saber o que me ia na alma. Aquele telefonema há muitos anos atrás do meu pai quando leu pela primeira vez o meu blog nunca mais esqueci. As lágrimas que ouvi do outro lado do telefone e a frase "finalmente conheço a minha filha no seu todo e o ser extraordinário que és". Ainda hoje essa lembrança me arrepia. A palavra escrita sempre foi muito mais fácil para mim. Tantas cartas escrevi, tantos emails enviei. Tantas palavras escritas espelharam a minha alma. Aprender a fazer isso mas com voz não será um processo fácil...

Eu tentei uma vez. Tentei falar e conversar. Percebi a importância da comunicação e tentei por tudo para que não faltasse comunicação. Aprendi que comunicar é a base e tentei pôr em prática. Foi um esforço passar da palavra escrita para a falada. Não ganhei nada com isso, não resultou a comunicação mas não foi por falha minha.

E agora ando a falhar... Ando a falhar naquilo que lutei durante anos, não foram assim tantos mas parece que foram muitos. Ando a falhar e não me sinto orgulhosa disso. Agora sou eu com falta de comunicação, agora sou eu que não falo...

Ando a tentar... Mas depois penso "Mas daqui a nada estou sozinha outra vez aqui, daqui a nada quero falar e volta tudo ao mesmo. Nada muda. Ficará a preocupação no ar quando posso evitar isso ficando calada."

PORRA!!! Mas porque é que eu vivo longe? Isto anda a atormentar-me...

domingo, 8 de fevereiro de 2015

sábado, 31 de janeiro de 2015

Tears...


Foi dia de as verter em catadupa...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Há momentos em que me sinto assim...


... deve ter sido da semana comprida que tive!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Nem de propósito...


Encontrei esta imagem. E é isto que ando a pensar há meses e que me levou à decisão de voltar para Lisboa. Senão passam mais dez anos e eu não fiz nada...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

sábado, 27 de dezembro de 2014

I just hope it won't be to late...



The perfect time is slipping through my fingers slowly, deadly, silent...

E eu só queria era ter uma noite descansada...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Pesadelos...


Há mais de um mês que não tenho uma noite descansada. Os pesadelos são vários e acordo atormentada. Vou trabalhar com o coração pequenino, o cansaço está a acumular e o medo que a noite chegue é cada vez maior. Talvez seja o reflexo dos meus fantasmas. Talvez esteja a ganhar novos fantasmas. Talvez sejam inseguranças. Talvez seja medo do futuro. Os cenários são vários mas os sentimentos sempre os mesmos. Preciso de paz e de descanso. Espero que as férias cheguem e me tragam uma noite sem sonhos, sem tormentos. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Há palavras...

... que nunca deveriam vir juntas.
... que nunca sequer deveriam aparecer.

... que juntas fazem a vida num inferno.
... que juntas tornam o coração do tamanho da cabeça de um alfinete.

... que deveriam ser banidas do dicionário.
... que deveriam ficar ocultas da vida.

... que só o nome assusta.
... que não trazem nada de bom.

... que eu não queria lidar com elas.
... que eu não queria que existissem.
... que eu nunca pensei que pudesse afetar a minha família.

Há palavras que fazem vontade de chorar só de as pronunciar.
Há palavras que aparecem na nossa família e nós colocamos tudo em causa.

Há palavras e palavras e estas duas já são más sozinhas, juntas então é surreal.

A mãe da minha mãe e a minha mãe... Como isto custa escrever! Daria tudo para ficar com essas duas palavras e livrar as pessoas do sofrimento que estão a passar.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A falta que um abraço faz..


Sérgio Godinho: Canção dos abraços

Amanhã tanta coisa pode mudar. Amanhã não é um dia normal e nunca será. A esperança está toda concentrada neste momento numa pessoa. Foram dois meses angustiantes e essa angústia nunca passou. A impotência de viver longe é mais que muita. Todos os cenários são colocados, por mais pensamentos positivos que a pessoa tenha há sempre o lado negro das coisas que a pessoa nem sequer quer imaginar.

Nestas últimas semanas tenho pensado muito sobre a importância de um abraço. Engraçado como a mente divaga e se questiona sobre coisas tão simples às vezes. Mas engane-se aquele que ache que um abraço não tem importância nenhuma. Às vezes faz toda a diferença. Já cheguei a desesperar por um abraço. Engraçado como isto soa tão estranho neste momento, pode-se dizer que me conformei com a situação pois abraço ainda não tive e não estou desesperada.

Viver longe é assim. Quando as coisas estão bem são simplesmente as saudades que temos. Mas quando as coisas estão mal as saudades passam para segundo plano e a necessidade uns dos outros torna-se gigante. A necessidade do contacto visual, a necessidade do contacto físico. A necessidade de um abraço. Pelos telefonemas é fácil perceber que o meu pai precisa desesperadamente de um abraço meu. É fácil perceber que os meus irmãos sentem-se perdidos sem eu lá estar. Não sou a super mulher mas sou um pilar na minha família.

A família é como uma casa, com pilares, paredes e janelas. As janelas precisam das paredes e as paredes precisam dos pilares. Basta faltar um pilar e a casa ainda se mantém ainda que muito coxa. Mas quando começa a faltar dois pilares a coisa já complica. O meu avô era um desses pilares. Esse pilar tornou-se pilar de outra forma. Onde quer que esteja sei que está a fazer de tudo para que a normalidade volte a esta família. O meu avô tinha dois filhos de sangue e uma filha de coração e sei que neste momento está a fazer de tudo para salvar a sua filha de coração. Eu sei que sim, eu acredito que sim.

E de repente talvez este tenha sido o texto mais longo que escrevi neste blog. Não se levanta o véu porque as coisas que acontecem são para estarem entre família. Há nomes que se tornam difíceis de dizer, de pronunciar. Há nomes que existiam no nosso vocabulário mas que não faziam parte de nós.

A palavra abraço tem tanta explicação, tem tanta coisa intrínseca. Tem tanto para dizer e para contar, tem tanto para sentir e dar. Que nunca nos falte a esperança de dias melhores e que nunca nos falte abraços...

domingo, 26 de outubro de 2014

O meu 6º sentido...

... está acordado e normalmente nunca se prevê coisa boa...

domingo, 12 de outubro de 2014

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Há muito que não escrevo...


O verão passou, foi calmo e tranquilo. Senti-me bem e feliz. Senti-me em paz. Depois de tempestades vêm sempre as calmarias. Mas no meu caso também se aplica que a seguir a calmarias vêm sempre tempestades...

Ainda estou em estado de choque, ainda não consigo aceitar. Ainda não consigo falar sobre o assunto sem que a voz me trema e as lágrimas não apareçam nos olhos.

Acho revoltante e de uma tremenda injustiça isto tudo. Sei que tenho que ultrapassar, sei que tenho que dar a volta por cima não por mim mas neste momento quero o meu casulo, quero a minha solidão, não quero que me perguntem como estou.

Quero ficar aqui com os meus fantasmas...

terça-feira, 22 de julho de 2014

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Li e chorei...

"Ontem visitei uma praia antiga que me deram há três anos. Recebi nesse dia uma praia como presente, e protegi-a como se tudo ali estivesse, e tinha razão, estava tudo ali, não é uma reflexão de agora, aquela praia és tu, e de tempos em tempos lá a visito nos dias em que não lá estás..."

(... muito. Encontrei quando fui à procura...)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

E depois de uma semana...

... o coração está cheio!
... a missão está cumprida!
... os elogios surgiram em catadupa que não estava à espera!
... os mimos chegaram!

e resumindo tudo isto e muito mais...

... estou feliz e tenho a melhor profissão do mundo!

(já nem me lembro a última vez que escrevi isto...)